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linha-cuidado-paciente-trauma Em uma iniciativa pioneira entre os hospitais públicos, o Hospital do Subúrbio (HS) instituiu em julho de 2015 a Linha de Cuidado do Trauma. Atento às práticas de assistência empregadas por instituições consideradas referências no atendimento ao paciente traumatizado, a exemplo do Ryder Trauma Center no Jackson Memorial Hospital, em Miami, e do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, pertencente ao estado de Minas Gerais, o Hospital do Subúrbio desenvolveu protocolos para a abordagem do paciente vítima de trauma.

O trauma representa um problema de saúde pública de grande magnitude no Brasil com forte impacto na morbidade e na mortalidade da população. Em medicina, sua definição está ligada a acontecimentos que, de forma mais ou menos violenta, produzem lesões ou danos no indivíduo. Entre as causas de trauma estão aqueles eventos denominados de causas externas: acidentes de trânsito, afogamentos, envenenamentos, quedas ou queimaduras e as violências, que incluem agressões, homicídios, suicídios e abusos físicos.

Idealizador da Linha de Cuidado do Trauma no HS, o cirurgião-geral e diretor do capítulo Bahia da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado, André Gusmão, esclarece que o trauma é uma doença cada vez mais frequente no país, principalmente por conta dos acidentes de trânsito e das violências interpessoais. Dados das últimas décadas têm apontado um crescimento constante das causas externas como causa de morte. No Brasil, as causas externas estão em terceiro lugar nas causas de morte na população geral. No Hospital do Subúrbio, elas são os principais motivos do atendimento de pacientes adultos e pediátricos, vítimas de acidentes de trânsito, quedas e violência por arma branca ou arma de fogo e agressões físicas. Representam a principal causa de internação de adultos e a segunda causa de internação de pacientes pediátricos na unidade hospitalar.

Com as estatísticas apontando para o elevado número de pacientes que ingressam no HS vítimas de trauma, foi instituído um conjunto de ações visando o atendimento de acordo com a gravidade do caso e seguindo padrões pré-estabelecidos. A Linha de Cuidado divide-se em duas abordagens distintas: a Onda Vermelha e as Rotas.

Nas situações em que pacientes com sinais de hemorragia grave chegam ao hospital, é acionada a Onda Vermelha. O cirurgião-geral, treinado para o diagnóstico de hemorragia grave, dispara o alerta sonoro, que é recebido no centro cirúrgico, na agência transfusional e no laboratório. Essas medidas permitem a preparação imediata dos profissionais das equipes médica e de enfermagem e a disponibilização de sangue e hemoderivados, além da primeira coleta de sangue para parâmetro inicial da situação do paciente. Cada setor tem prazos pré-definidos: a entrada no centro cirúrgico deve ser em até 15 minutos e a oferta de hemocomponentes pela agência transfusional em até 20 minutos, mesmo tempo para a coleta de sangue para exames de laboratório.

Para os casos de trauma sem sangramento, o paciente não ingressa na Onda Vermelha, e sim na Rota 1 ou na Rota 2. O protocolo desenvolvido para a Rota 1 é aplicado nas situações graves que não demandam o encaminhamento imediato ao centro cirúrgico, enquanto a Rota 2 aplica-se a casos menos graves. Em ambos são definidos prazos para as ações dos profissionais da Emergência, Bioimagem e Laboratório. A rápida realização dos exames contribui para a agilidade na tomada de decisão quanto ao tratamento adequado, encaminhando o paciente ao centro cirúrgico ou à UTI.

Por meio da sua Linha de Cuidado do Trauma, o HS busca sistematizar as ações de cuidado ao paciente durante sua permanência na instituição, promover padrões elevados de atendimento e aumentar a taxa de sobrevida dos pacientes. Em um ano de funcionamento da linha, 73 pacientes foram atendidos na Onda Vermelha, com uma taxa de 52% de sobrevida. A linha também torna a comunicação mais efetiva entre os profissionais dos diversos setores envolvidos, como cirurgiões, enfermeiros, técnicos de enfermagem, anestesistas, agentes de transporte, ortopedistas, profissionais do Laboratório e da Bioimagem.

O paciente traumatizado necessita de um atendimento rápido e eficaz. Por isso, explica o médico André Gusmão, “é fundamental ter uma equipe empenhada e bem treinada. E para que toda equipe funcione da melhor forma possível é preciso definir lideranças”. Assim, foram nomeados líderes para o processo de cuidado a esse tipo de paciente, os chamados “Capitães do Trauma” ̶ 14 cirurgiões-gerais reconhecidos pela atuação em seus turnos de plantão.

O Hospital do Subúrbio também investe no treinamento constante de seus colaboradores para a melhoria contínua da assistência na Linha de Cuidado e, por apresentar no seu perfil de atendimento o trauma como primeira causa de internação, valoriza a formação de profissionais especializados, com o programa de Residência em Cirurgia do Trauma. Contando atualmente com três residentes, o programa é uma estratégia de educação continuada no trauma, com permanente cultura do atendimento ao paciente politraumatizado, além de promover a retenção de talentos.